Companheiro! Amigão! Hoje você partiu, mas fica aqui o seu sorriso nos palcos da vida! Você, que tanto trabalhou voluntariamente pela cultura petropolitana, sempre generoso, nunca esmorecendo, nem mesmo nos momentos da doença, quando até com dificuldades para caminhar continuava indo às reuniões do conselho de cultura. O espetáculo não pode parar e você sabia disso, daí não ter saído da cena. A vida é efêmera como a nossa arte, mas a cada temporada saímos mais experientes e agora você está indo em direção a outros palcos, que todas as luzes se acendam para você, obrigado por tudo e muitos APLAUSOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Estava eu numa praça na venda dos meus folhetos me apareceu cara a cara o fulano de um sujeito desafiando meu verso e desfiando seu terço.
O vivente feito um louco me chamando de chulé recebeu logo seu troco seu lugar de Zé Mané perguntei pelo seu nome e me respondeu: Anônimo.
Anônimo era o tal De Nada Da Coisa Nenhuma que procurou Zé Cordel para escrever as venturas das aventuras de glória na vida de sua memória.
- É o seguinte, seu Zé, começo a lhe clarear há muito que lhe procuro pois tenho andado no escuro e preciso de um certo roteiro pra me poder espalhar.
E foi o homem falando e eu entender tentando.
- É que sendo o sinhô autor de tantos folheto, de romance escrevinhador, e tanto herói que o sinhô com sua pena heroizô, que resolvi me soltá em busca de lhe encontrá.
Mas ainda eu não sabia que o que o fulano queria era entregar o seu dia e aí virar poesia. Então foi se esclarecendo e eu lhe fui percebendo.
Não conheceu pai nem mãe nasceu na porta da rua criado pelos passantes e batizado pela lua. Nem cangaceiro, milagreiro, nem peão e nem poeta.
Perguntei se era político feito o bode vereador e ele me disse crítico que não era, "não senhor!" Que mais que tudo na vida era mesmo sonhador.
Mas isso não faz vergonha isso todo mundo é de um jeito ou de outro pois um homem que não sonha é praticamente um morto.
Só que o que ele sonhava era coisa de mais profundo pois a chave ele carregava da Porta do Sonho do mundo. Então ele conversava de cara a cara com tudo.
Foi assim que conheceu a beleza clara da Lua a madrinha que apareceu abrindo-lhe a porta da rua no caminho onde ele nasceu.
E ganhou de S. Jorge seu padrinho lá no céu uma espada de ajuda e pra ele não se perder um galinho de arruda e capim de São Saruê.
Madrinha Lua, airosa, sanfonando toda prosa entregou as encomendas explicou toda a receita e partiu pelos portais lumiando outros quintais.
Espada, arruda e capim lá da outra dimensão vieram cair-lhe assim nas mãos, para proteção.
A espada da bondade a arruda da clareza contra o dragão da maldade e a treva da tristeza. E o capim de São Saruê pra quando quiser se esconder.
O matinho que mordido ali no canto da boca fazia ficar invisível feito uma alma sem roupa. Vindo de onde não se vê: o País de São Saruê.
Entrou no sonho de Anônimo um tal de Barão Sabão, um doutorzinho emplumado criador de confusão, um coronel diplomado do tempo da escravidão.
Apresentou língua grande de quem traz rei na barriga. Era grande a sua fome e maior a sua intriga. Desacatou o Anônimo e ameaçou sua vida.
Depois acordo propôs oferecendo trabalho uma instrução de escola e um mínimo de salário.
Então veio D. Arlete, a professora severa da escola especial, ensinando no porrete que Anônimo não era nada mais que um animal.
Arlete ganhava pouco por isso estava nervosa e partiu para o Anônimo com sua régua raivosa.
Ele, que já tinha usado sua arruda lá do Céu contra aquele mau-olhado, tratou de se defender mordendo o enfeitiçado capim de São Saruê.
E sumiu feito Saci espantando a professora, que não o vendo ali foi ficando quase louca.
Depois se fez ver de novo e ela ficou mais calma com a mansidão do povo de quando lhe baixa a bola falando bem direitinho até com carinho agora.
Explicou a situação: vivia na escravidão, era vítima do Barão e do medo no coração.
E quando esse "tal" voltou, a coisa ficou mais quente, de ira ele se inflamou e despensou D. Arlete mas no vazio escutou a voz feito um alfinete.
Era Anônimo escondido no invisível do capim soprando-lhe ao pé do ouvido o erro de ser assim.
E o Barão piorou já foi sacando a pistola, mas Anônimo pulou devolvendo-lhe a bola.
Chegou a hora do embate o instante derradeiro em que o Dragão da Maldade partiu para o Santo Guerreiro nesse momento fatal do Céu veio o padroeiro.
E a lança que desceu bem na idéia do barão amansou-lhe feito mel o caroço do coração sossegou-lhe o temporal no sol quente da razão.
E saiu pisando fino o coronel do sertão que por ser pobre de espírito e rico de pretensão descangotou o juízo e se perdeu da função.
E Anônimo contava como venceu a parada desse bandido invasor que muito o ameaçou, mas pra surpresa maior mais uma história contou.
Me disse que certo dia aí na estrada da vida enquanto andava sozinho ouviu uma voz que vinha do alto de uma colina e bem mais alto que acima.
Foi a visão de um menino, um anjo pra ser preciso, que disse já ter subido pra proteger os sozinhos que na Terra, feito Anônimo, passavam pelos caminhos.
Era o Santo Candelária um menino assassinado que agora lá estava de asas, já coroado, pra sempre anjo da guarda.
E o anjo lhe mandou me procurar e contar suas histórias de sonhos pra eu passar pro papel num folheto de cordel as aventuras de Anônimo.
E nós temos que mostrar em nome da consciência para um dia se acabar tanta fome e violência a história de Anônimo em toda sua evidência.
Por isso fiz o folheto pr'esse Pessoal Aí e vim para o teatro aqui mostrar meu papel com o nome: "A Porta do Sonho" assinado Zé Cordel.
* A Porta do Sonho foi um espetáculo teatral encenado pelo Grupo Pessoal Aí, em meados da década de 90 e percorreu bairros e distritos de Petrópolis fazendo parte do projeto "Mambembe" de Teatro nas Comunidades, da Prefeitura Municipal de Petrópolis. Participaram como atores: Marcos Davi, Nilson Tassi, Pita Cavalcanti e Sylvio Costa Filho
Adaptação de “A visita da velha senhora”, de Friedrich Dürrenmatt.
O Grupo de Teatro da Melhor Idade traz à cena a 1ª parte de sua versão da peça de Dürrenmat, “A Visita da Velha Senhora”.
Os atores de Güllen representam o episódio da visita da milionária Claire Zahanassian que volta à cidade natal e ali começa a pôr em prática a sua vingança contra todos que lhe causaram um grande mal, no passado.
Friedrich Dürrenmat nascido na Suíça alemã, a 5 de janeiro de 1921,em sua peça de 1956, traça um retrato crítico das escolhas sociais e individuais que levam uma civilização por caminhos tortuosos e nefastos. A peça, um sucesso desde o seu lançamento, é uma referência da cultura universal.
A presente montagem faz questão de trazer o teatro para o palco, são os atores representando, montando e desmontando a trama diante da platéia. Daí, o cenário e os adereços cenográficos serem manipulados à vista, e a protagonista ser representada por duas atrizes. Além é claro dos muitos personagens masculinos protagonizados por atrizes.
elenco
ALICE MESQUITA (o oficial de justiça)
FRANÇA FÉ (eunuco ll)
FRANCISCO ARAÚJO (o marido nº 7, o mordomo)
GERALDO de SOUZA (o chefe do trem)
GLADYS ESTUARDO (o padre)
IZA ALVES (Claire Zahanassian l)
LUCY PEREIRA (o quarto)
LURDINHA PÉRCIA (o primeiro)
LU BOAVENTURA (cidadã ll)
MARIA FRANCISCA (o chefe da estação)
MARIA HELENA MACHADO (o pintor, o médico)
MARINA RAMOS (o terceiro)
MAURO XAVIER (o prefeito)
MIRIAM ANTUNES (eunuco l)
NORMA de OLIVEIRA (o professor)
REGINA CARRILHO (Claire Zahanassian ll)
REGINA GODOY (o segundo, mulher de Schill)
ROBERTO VALENTE (Schill)
THEREZINHA KLIPPEL (cidadã l)
FICHA TÉCNICA
TEXTO: A VISITA da VELHA SENHORA
AUTOR: FRIEDRICH DÜRRENMATT
ADAPTAÇÃO: SYLVIO C. FILHO.
DIREÇÃO: SYLVIO C. FILHO E PITA CAVALCANTI.
CENÁRIO E ILUMINAÇÃO: PITA CAVALCANTI
OPERADOR DE LUZ: LUIZ CARLOS DE S. JUNIOR
EDIÇÃO DE ÁUDIO: FABIANO GARCIA
OPERADOR DE SOM: SYLVIO C. FILHO.
DESENHISTA: LAURINDO KRONEMBERG
AGRADECIMENTOS
CURSO de INGLÊS UP TIME, DALILA e LAURINDO KRONENBERG, GRUPO PESSOAL AÍ, FABIANO GARCIA, FUNCIONÁRIOS do CENTRO de CULTURA. NILSON TASSI, WALEWSKA OSÓRIO.